Por: Luan Chicale

Não existe meio-termo quando o assunto é Neymar da Silva Santos Júnior. Ou você o defende com unhas e dentes ou lidera o coro dos que dizem que seu ciclo na Seleção Brasileira já deveria ter acabado. Com a lista final de Carlo Ancelotti batendo na porta, a pergunta que ecoa em cada mesa de bar do Oiapoque ao Chuí é uma só: Neymar merece ir para a Copa do Mundo de 2026?

Os críticos têm seus argumentos, e eles não são invisíveis. Apontam o histórico recente de lesões, a cobrança por uma intensidade física que o futebol moderno exige a cada segundo e o clamor por uma renovação total liderada pela nova geração de faixas-pretas da Europa. Dizem que a Amarelinha precisa andar para frente, sem muletas emocionais do passado.

Porém, futebol não é feito de teoria romântica; futebol é bola na rede. E quando afastamos o barulho das redes sociais para olhar o que realmente importa, a resposta para o dilema fica clara.

O Peso da Genialidade em Números

Vamos deixar o "achismo" de lado e focar nos fatos brutos. Se a grande preocupação era o ritmo de jogo após os problemas físicos, sua atual passagem pelo Santos já provou que o cara ainda entrega o que quase ninguém consegue. São 45 jogos oficiais, 18 gols e 9 assistências desde o seu retorno à Vila Belmiro. Só nesta temporada, ele colocou 6 bolas na rede e deu 4 passes para gol em 14 partidas. Ele joga e resolve.

Mas o verdadeiro choque de realidade acontece quando olhamos para a história que ele escreveu — e continua escrevendo — com a camisa da Seleção:

  • O Maior de Todos: Neymar é, isolado, o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira nas contas da Fifa, com 79 gols em 128 jogos.
  • A Solidão do Gol: Para se ter uma ideia do abismo técnico, os 79 gols de Neymar quase se equivalem à soma de todos os outros 19 atacantes que estavam na pré-lista de Ancelotti (que juntos somam cerca de 83 gols). Nossos jovens talentos são brilhantes, mas o faro de gol internacional ainda é uma virtude concentrada nos pés do camisa 10.
  • Casca em Copas: Em Mundiais, o retrospecto dele é de gente grande. São 13 jogos, 8 gols e 4 assistências. Ele sabe o tamanho do peso dessa camisa quando o mundo inteiro está assistindo.
"O futebol aceita muitas teorias, mas se curva diante dos números. E os números dizem que o Brasil não se pode dar ao luxo de abrir mão do seu maior finalizador."

O Veredicto: Sim, Ele Precisa Estar Lá

Romário e Cafu já disseram isso publicamente, e eles entendem um "pouquinho" de erguer a taça. A verdade é que uma Copa do Mundo não é lugar para laboratório purista. É um torneio de tiro curto, onde a hierarquia, o respeito do adversário e a capacidade de tirar um coelho da cartola em um jogo truncado de quartas de final valem ouro.

O Brasil tem garotos fantásticos pedindo passagem, vertiginosos e cheios de fôlego, mas nenhum deles carrega o poder de decisão e o magnetismo tático que o Neymar possui. Ele atrai a marcação, abre espaços e, acima de tudo, sabe fazer o gol que define o destino de uma nação.

Neymar deve ir para a Copa? Sim, sem sombra de dúvidas. Deixar o maior artilheiro da nossa história assistindo ao torneio de casa seria um pecado tático que Carlo Ancelotti, com toda a sua sabedoria italiana, é inteligente demais para cometer. O esquadrão precisa do seu gênio.